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futuro

hitech

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REVISTA LOCAWEB

Como foi sua trajetória até

a Nasa?

Vim aos Estados Unidos

fazer doutorado em física na

Universidade Católica de Washington

DC. De repente, apareceu a

oportunidade que, de longe, foi a

melhor quando estava terminando

as graduações. Nunca planejei em

detalhes, não passava pela minha

cabeça trabalhar na Nasa. Mas quando

percebi que tinha chances, estudei

bastante para os exames. Deu certo.

Como é seu dia a dia na

agência espacial?

Ninguém

imagina, mas tenho uma flexibilidade

enorme. Se eu preferir trabalhar em

casa, por exemplo, não preciso ir ao

escritório. Uma das liberdades que

me atrai bastante é a possibilidade

de responder às perguntas científicas

que eu mesmo proponho diariamente.

Essa é uma das maiores vantagens

de ser astrofísico. Gosto muito de

trabalhar de madrugada e dormir

tarde, mas também de mudar minha

rotina. Atualmente, estou envolvido

em vários projetos de satélites a

serem apresentados no futuro e,

constantemente, submeto projetos

para financiar nossa pesquisa.

No próximo ano, por exemplo,

será lançado o telescópio espacial

James Webb, sucessor do Hubble.

Sua visão da Nasa mudou ao

longo dos anos?

Antes de vir para

os Estados Unidos, conhecia muito

pouco sobre a Nasa. Hoje, eu a entendo

como uma agência sem igual na área

de exploração espacial, que acrescenta

bastante à nossa experiência como

seres humanos, tanto no sentido de

entender de onde viemos como onde

estamos situados no cosmos. Estudar

astrofísica na Nasa é um exercício de

humildade permanente, especialmente

ao sermos lembrados o tempo todo de

que nosso planeta é tão frágil e que não

temos um plano B se o destruirmos.

Quais tecnologias você usa

para estudar, por exemplo,

a formação estelar?

A minha

pergunta atual é o quão bem

podemos determinar a história de

Estudar astrofísica na Nasa é um exercício de

humildade permanente, especialmente ao sermos

lembrados o tempo todo de que nosso planeta é tão

frágil e que não temos um plano B se o destruirmos

formação estelar em outras galáxias

e as implicações disso no nosso

entendimento da evolução do universo.

Em busca de respostas, uso uma

enorme variedade de telescópios,

de raios X e até rádio, tanto na

Terra como no espaço. Também

simulo populações de estrelas em

supercomputadores para entender

como se formam e evoluem com

o passar do tempo.

Você já acompanhou grandes

fenômenos. Qual o marcou

mais?

O eclipse solar total foi sem

dúvida um dos fenômenos naturais

mais bonitos que já presenciei.

No entanto, uma ocasião que me

marcou muito foi a última missão

de reparo do telescópio espacial

Hubble, em maio de 2009. Era novo

na Nasa e vi vários amigos que

estavam diretamente envolvidos

nos instrumentos que substituíram

os anteriores. A apreensão no

laboratório era enorme e havia uma

alegria generalizada à medida

que cada passo era completado.

Graças a essa missão de reparo,

continuamos usando o Hubble até

hoje, mesmo ele estando em órbita

em torno da Terra desde 1990.

Quais dicas você daria para

jovens brasileiros que sonham

em trabalhar na Nasa?

Acreditem

nos seus sonhos e os transformem em

ação. Se realmente quiserem seguir a

carreira de cientistas, estudem duro,

sabendo que existem milhares de

oportunidades mundo afora. Trabalhar

na Nasa é possível nas mais diversas

áreas, como computação, engenharia

e tantas outras. Também é possível

ingressar na agência espacial em

qualquer nível escolar, do ensino

médio ao pós-doutorado. Porém, tão

importante quanto dominar muito bem

a sua área específica do conhecimento

é saber inglês e entender como os

processos de seleção funcionam.

Rafael indica que, com dedicação, é possível trabalhar com TI, engenharia e diversas outras áreas na Nasa