Ouro de Tolo

MAURICIO ALEXANDRE 91 Não me lembro ao certo quando escutei pela primeira vez a frase de abertura deste capítulo, mas ela me marcou muito por ser absolutamente verdadeira. Afinal de contas, não há nada mais fácil do que se divertir com dinheiro. Basta eleger o tipo de entretenimento que quiser e pagar. Essa atitude por vezes promove uma fuga, pois qualquer atividade é melhor do que ficar só consigo mesmo. Durante a pandemia, as pessoas que dependiam exclusivamente de dinheiro para se divertir tiveram sérios problemas com o fechamento de sho- ppings, cinemas, teatros, baladas, clubes, restaurantes, bares e das de- mais atividades que pudessem colocar a população em risco. Viramos a chave da noite para o dia, da confraternização para o isolamento so- cial por meses a fio. Muitos tiveram um sentimento de pânico em de- corrência do claustro a que se submeteriam. As famílias precisaram adaptar-se ao que ficou conhecido como novo normal: todos em casa o dia inteiro, tentando executar suas atividades externas: escola, tra- balho, aulas de idiomas, música, dança e academia viraram atividades domésticas. Nesse caos, foi preciso aprender que podemos viver com bemmenos. Roupas e sapatos de grife, joias caras e carros de luxo não têm valor no confinamento.

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